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terça-feira, fevereiro 22, 2011

Falar fora da caixa

por José Vítor Malheiros

Texto publicado no jornal Público a 22 de Fevereiro de 2011
Crónica 8/2011

As organizações precisam de aprender a experimentar o novo espaço público de comunicação

Uma das coisas mais estranhas que acontece quando se fala de novas tecnologias - ou de novos serviços de base tecnológica - é a facilidade com que tantas pessoas confundem as suas inclinações individuais com o impacto da tecnologia na sociedade.

Há vinte e cinco anos ouvia pessoas à minha volta dizer que não achavam que o fax fosse necessário porque elas continuavam a mandar cartas pelo correio. Há vinte anos ouvia pessoas dizerem que não achavam que o mail servisse de muito porque elas não o usavam e nunca tinham sentido necessidade de o experimentar. Há quinze anos ouvi dezenas de pessoas (todas o negam hoje) dizer que a Internet não ia mudar nada de essencial como pensavam os “deslumbrados da tecnologia” (entre os quais estaria eu) porque eles não a usavam e preferiam “ir às bibliotecas” ou qualquer coisa do género. Depois ouvi a mesma coisa a respeito do Instant Messaging (“Não vejo necessidade. Eu uso mail”), dos livros digitais (“Não me parece que tenham futuro. Eu prefiro o papel”), do chat (“Eu, quando quero falar com alguém, telefono”), dos blogs (“Não tenho paciência”) e ouço-o agora em relação ao Twitter e a outras redes sociais como o Facebook – mesmo quando os acontecimentos no Norte de África nos oferecem provas insofismáveis do seu poder.

Claro que a generalização do uso destas ferramentas acaba por envolver também as pessoas que começaram por recusar a sua existência, a sua utilidade e o seu potencial, mas a verdade é que o número de cépticos e a profundidade do cepticismo parecem com frequência completamente desfasados em relação ao óbvio potencial.

Uma das razões para estas atitudes é o facto de a nossa cultura privilegiar a imagem conservadora. Errar pelo lado da prudência parece sempre preferível a exagerar no entusiasmo. Uma pessoa céptica, que gosta de “esperar para ver” e que “não vai em modas” parece sempre mais séria que uma pessoa entusiasmada com a última tecnologia. O único problema é que, se pode parecer mais séria, não o é necessariamente.
Ser prudente em relação à adopção de uma tecnologia é uma opção sensata. Mas adiar a experimentação de uma nova tecnologia até ao momento em que a sua ignorância se torna um factor de atraso em termos competitivos e de exclusão em termos sociais é tudo menos sensato. A “aposta na inovação”, de cuja necessidade nos falam há tantos anos que já nos enjoa, devia passar precisamente pela experimentação, pelo entusiasmo pelas coisas interessantes antes de elas se tornarem mainstream, coisas que podem falhar mas que nos oferecem oportunidades de aprendizagem únicas.
As redes sociais online são, neste momento, o exemplo canónico da nova tecnologia que se situa entre o entusiasmo dos deslumbrados e a atitude blasée dos cépticos. Não é que alguém defenda que não se devam usar, mas muitos continuam a achar que isso deve ser feito apenas “pelos outros” ou “pelos mais jovens”. Apesar de ser evidente que a sua importância vai continuar a crescer. O trabalho, a política, a educação, os negócios, as relações pessoais, os hobbies, a acção social passam cada vez mais pelas redes sociais. Apesar disso, continuamos a ouvir, um pouco por todo o lado, comentários do tipo “Não percebo como se pode achar graça ao Facebook. Aquilo é só disparates!”
Uma das razões para esta dificuldade na avaliação da ferramenta provém do facto de no Facebook convergirem diferentes planos da nossa vida (pessoal, profissional, familiar) e diferentes tribos (adolescentes, corporações, colegas) que não estamos habituados a ver coabitar. Há muitas pessoas que convivem mal com esta babel, mas o regresso à toca não é uma opção.
As organizações precisam de aprender a sair das suas caixas com ambiente controlado e arriscar-se a experimentar o novo espaço público de comunicação. (jvmalheiros@gmail.com)

quarta-feira, março 31, 2010

O problema do E-Male

por José Vítor Malheiros

Texto publicado no jornal Público a 31 de Março de 2010
Crónica 13/2010

Já repararam nos frisos de homens brancos vestidos de cinzento e azul nas mesas-redondas sobre tecnologias de informação?

O problema da representatividade dos géneros nas várias profissões não é apenas um problema de igualdade cidadã e de liberdade de acesso, ainda que estas sejam questões fundamentais. É também um problema de acesso, nas várias actividades humanas, ao reservatório nacional (e mundial) de talento.

Em termos internacionais, Portugal não está mal situado na representatividade dos géneros nas profissões científicas, com 20.000 homens e 15.000 mulheres a representar os recursos humanos dedicados à ciência e à tecnologia, dos quais 15.800 investigadores homens e 12.300 investigadores do sexo feminino (dados de 2007 em Equivalente a Tempo Integral). No entanto, a distribuição dos géneros faz-se de forma desigual e se há áreas onde já há predomínio de mulheres (nas biociências, por exemplo), existem outras que são ainda maioritariamente e às vezes esmagadoramente masculinas. A engenharia é uma destas.

A Ordem dos Engenheiros tem entre os seus membros efectivos 7523 engenheiras e 31.543 engenheiros (1 para 4) e a relação é pior em certas especialidades: se considerarmos só os engenheiros informáticos e electrotécnicos a relação é de 679 para 7620 (ou 1 para 11). Isto significa que o mundo das tecnologias de informação está dominado pelos homens, como aliás é fácil de constatar em qualquer empresa ou departamento universitário de informática ou em qualquer das reuniões científicas sobre estas áreas, sempre tristemente masculinas. As tecnologias de informação são o domínio do E-Male.

Há quem pense – como o antigo reitor da Universidade de Harvard, Lawrence Summers – que o facto se deve às menores capacidades científicas e tecnológicas das mulheres e, em particular, a uma aversão de origem uterina pela matemática, mas a ideia já não está tanto em voga como esteve (como o prova o facto de Summers ter sido forçado a demitir-se em 2006, um ano depois de ter proferido as suas inesperadas considerações sexistas) e existem inúmeras demonstrações do contrário.

O problema que existe é que – para além dos eventuais factores que estejam a limitar a liberdade de acesso das mulheres e a discriminá-las de facto –, nesta área que consideramos central para o desenvolvimento social e económico, só estamos a explorar a imaginação, as questões, as dúvidas, as abordagens e as soluções de metade das pessoas possíveis. Pior: a metade que estamos a utilizar é dramaticamente homogénea (seria menos grave se o nosso universo de escolha fosse formado por metade dos homens e metade das mulheres).

Já repararam nos frisos de homens brancos de 40 anos vestidos de cinzento e azul, que se sucedem nas mesas-redondas sobre Tecnologias de Informação e Comunicação dos nossos congressos, que um marciano tomaria facilmente por clones? A versão optimista é que o seu aspecto gráfico é igual mas as suas mentes são maravilhosamente diferentes… mas serão suficientemente diferentes?

Pessoalmente, acho que as mulheres e os homens pensam de facto de maneira diferente e a minha experiência diz-me que a riqueza criativa de grupos diversos é muito maior que a de grupos homogéneos. E criatividade e diferença é algo de que precisamos desesperadamente – principalmente numa área tão moldadora do futuro como as TIC.

Da mesma maneira que a política é uma coisa demasiado importante para ser entregue aos políticos, a tecnologia é uma coisa demasiado importante para ser entregue apenas aos homens. (jvmalheiros@gmail.com)

terça-feira, novembro 29, 2005

De cima para baixo

por José Vítor Malheiros

Texto publicado no jornal Público a 29 de Novembro de 2005
Crónica 35/2005

Sem o envolvimento real dos cidadãos pode fazer-se um papel, mas não se faz um plano que mude o país.


O Plano Tecnológico foi apresentado durante a campanha eleitoral por José Sócrates como um dos eixos estratégicos da acção do futuro governo do Partido Socialista. Era em torno deste programa que o PS se propunha enfrentar o futuro, libertar a chama criadora dos portugueses, romper o atraso crónico e todas essas coisas que é costume dizer nesses momentos.

O discurso em torno do Plano Tecnológico era medianamente acertado, ainda que construído em torno de lugares-comuns: tratava-se de colocar a tónica no conhecimento, na inovação, na investigação, na iniciativa, na mobilidade, na qualidade, etc.

A concepção e a apresentação do Plano Tecnológico veio colocar no sito certo as expectativas que pudéssemos ter em relação a mais esta iniciativa: naquela prateleira pequenina onde está a jarrinha com as flores secas, ao lado da paixão da educação de António Guterres.

Passemos por alto o episódio rocambolesco da demissão do responsável do plano na véspera da sua apresentação. Passemos por alto o facto de o plano ser lançado sem ter uma figura de indiscutível capacidade de intermediação e de liderança à sua frente. Passemos por alto até o facto (sintoma precoce de uma daquelas doenças prolongadas que aparecem nas necrologias) de os responsáveis dos dois ministérios que mais unidos deveriam estar na implementação do plano terem sobre ele perspectivas divergentes.

Passemos por cima de tudo isto para nos centrarmos num único aspecto desta coisa que nos apresentam como uma estratégia nacional com base no conhecimento e na inovação: o facto de este ser, mais uma vez, um plano feito de baixo para cima, nascido na cabeça de quatro iluminados, e sem uma real participação na sua concepção das forças que se pretende mobilizar.

A dinâmica que um Plano Tecnológico deveria representar só existe se ele for o resultado de um verdadeiro debate mobilizador, se ele integrar as aspirações dos actores sociais que o têm de levar à prática, se ele tiver sido palco dos confrontos que surgem necessariamente em qualquer discussão estratégica e se tiver podido transformar-se na resultante de toda essa agitação, se ele tiver podido gerar ideias novas e excitantes. Mas claro que isso não se faz sem um forte empenho nessa participação, sem uma verdadeira competência de intermediação, sem uma reconhecida capacidade de negociação e arbitragem e sem uma liderança sensata e inovadora.
Não se trata apenas de envolver nesse debate os engenheiros e os empresários, trata-se da totalidade da sociedade. Sem a participação real (e não apenas formal) de professores, de investigadores, da administração pública, de criadores, de sindicatos e de associações, dos cidadãos em geral, pode fazer-se um papel, mas não se faz um plano que mude o país.

Pode dizer-se que isto é pedir muito, mas Portugal, se não se mudar muito, não muda nada – e isso será dramático.

A incapacidade demonstrada para fazer isto é tanto mais chocante quanto se esperava aqui alguma inovação organizacional, alguma capacidade de correr riscos, alguma utilização criativa da tecnologia – e nada disso existiu. Hoje, graças à Internet, é possível levar a cabo discussões generalizadas online, criar fóruns ou blogs ou wikis para grupos especializados ou transversais, realizar trabalho cooperativo de forma eficaz, eficiente e, acima de tudo, participada. Como é que os autores do Plano Tecnológico querem que a sociedade faça algo que eles não conseguiram fazer?

Basta ver o site do Plano Tecnológico para perceber a cultura que está por trás do documento: a única forma de interacção proposta aos cidadãos é um botão para enviar “sugestões”. Seria cómico se não fosse triste.

Tal como está, o Plano Tecnológico é uma colecção de medidas governamentais e de intenções piedosas. E, piedosamente, o Governo espera que tal coisa acorde as forças inovadoras adormecidas e faça florescer mil sinergias. Assim, será preciso um milagre. Teria bastado vontade e alguma imaginação para fazer melhor.

quarta-feira, janeiro 01, 1997

Ciência e Investigação - Anuário Janus 1997

por José Vítor Malheiros
Artigo publicado no "Anuário Janus 1997" (http://www.janusonline.pt/1997/1997_3_21.html)
Edição do jornal Público e do Observare - Observatório de Relações Exteriores da Universidade Autónoma de Lisboa




Os principais elementos que caracterizam o Sistema Científico e Tecnológico Nacional (SCTN) são a sua pequena dimensão e produção quando comparados com a maioria dos países europeus, características que decorrem da escassez crónica dos recursos que têm sido dedicados em Portugal à investigação e desenvolvimento (I&D).


Segundo as últimas estatísticas oficiais disponíveis para o sector, referentes a 1992, Portugal dedicou ao investimento em l&D nesse ano apenas 0,63 por cento do seu Produto Interno Bruto (PIB). Essa percentagem foi mesmo inferior nos anos anteriores — 0,40 por cento em 1986, 0,43 em 1988, 0,54 em 1990 (as percentagens podem ser respectivamente de 0,71; 0,61; 0,50 e 0,45 mediante a utilização de um método diferente para cálculo do PIB). Nos últimos anos, porém, verificou-se um aumento significativo do investimento em I&D no país, de tal forma que o Governo estima, nas Grandes Opções do Plano para 1997, que ele tenha atingido em 1996 o valor de 0,9 por cento do PIB — o que é particularmente relevante em termos relativos, tanto mais que o PIB também cresceu de forma acentuada nos últimos anos. Apesar disso, esse valor mantém-se ainda muito longe da média de investimento em I&D da União Europeia (1,9 por cento do PIB) ou da OCDE (2,2 por cento).


O investimento público em I&D, graças nomeadamente aos dinheiros da UE, tem no entanto sofrido um significativo aumento nos últimos anos. De 1995 para 1996, por exemplo, verificou-se um aumento de 34 por cento na parte do Orçamento de Ciência e Tecnologia pela qual o Ministério de Ciência e Tecnologia é directamente responsável — de 19,6 para 26,2 milhões de contos, se se comparar o orçamento executado em 1995 com o previsto para 1996.


Quanto ao investimento público total em I&D, ele representou em 1996, segundo as actuais estimativas do Governo, cerca de 0,6 por cento do PIB. Uma das principais fragilidades do SCTN consiste no diminuto investimento em I&D feito pelas empresas. Estas representavam, segundo as estatísticas de 1992, pouco mais de um quinto (22 por cento) do investimento nacional em I&D e as estimativas mais recentes consideram que esse valor não deve ter aumentado de forma muito significativa. Como termo de comparação, diga-se que as empresas realizam 50 por cento da investigação no total da UE e 60 por cento no total da OCDE.


Esta situação deve-se, além das razões estruturais, à quase inexistência de mecanismos formais de apoio à realização de investigação nas empresas por parte do Estado. O Estado português financiava apenas 9 por cento da I&D feita nas empresas em 1992, enquanto essa participação é de 15 a 20 por cento noutros países da Europa. O XIII Governo anunciou, porém, a entrada em vigor, para 1997, de incentivos fiscais às empresas que fizerem I&D.


Existem, apesar de tudo, indícios de que este sector se terá robustecido ao longo dos últimos anos. Assim, no Inquérito ao Potencial Científico e Tecnológico Nacional de 1992, realizado pela Junta Nacional de Investigação Científica e Tecnológica (JNICT) apenas 203 empresas declaravam realizar actividades de I&D, mas esse número era já de 700 no Inquérito às Empresas do Instituto Nacional de Estatística de 1993. Por outro lado, um estudo feito em 1994 refere a existência de 1000 engenheiros que desenvolvem actividades de I&D em empresas, dos quais 100 possuem um doutoramento. Apesar dos recentes aumentos do investimento, a debilidade crónica do financiamento em I&D traduz-se num reduzido número de investigadores e de pessoal implicado em tarefas de investigação e desenvolvimento experimental.


Portugal possui apenas 9.800 investigadores (em equivalente a tempo inteiro, correspondentes a um total de 16.000 pessoas, estimativa para 1995) o que representa 2,1 por mil elementos da população activa. O mesmo ratio é de 5,5 por mil na OCDE e 4,6 por mil na UE. Quando se compara o peso do total de trabalhadores envolvidos em actividades de I&D, que era de 13.448 em 1992 (em equivalente a tempo inteiro) chega-se às mesmas conclusões: o ratio era então de 2,8 por cada mil elementos da população activa em Portugal, enquanto era, no mesmo ano, de 14,3 no Japão, 12,3 na Alemanha e em França, 9,3 na Holanda, 4,7 em Espanha (1991) e 6,1 na Irlanda (1991).


Baixos índices de produção


Esta situação traduz-se, como seria de esperar, numa baixa produção científica, estimada em 0,2 por cento da produção mundial de artigos publicados em revistas científicas com avaliação prévia ("peer review") nos cinco anos de 1991 a 1995 (ver Quadro 1).


Esta produção mostra-se particularmente baixa quando se compara com a de países como a Holanda ou a Bélgica que, com populações da ordem da portuguesa (quinze e dez milhões de habitantes, respectivamente) representam, respectivamente, 2,42 e 1,13 por cento da produção científica mundial. A Dinamarca e a Finlândia, com cerca de metade da população portuguesa, representam, por seu lado, 0,93 e 0,81 por cento da produção mundial de artigos científicos. A Irlanda, com um terço da população de Portugal, produz mais artigos: 0,26 por cento. E a Grécia, com uma população da ordem da portuguesa e um PIB "per capita" apenas ligeiramente superior ao de Portugal (7700 ecus anuais contra 7500 ecus) consegue produzir duas vezes mais artigos: 0,44 por cento da produção mundial nos cinco anos considerados.


A comparação internacional não é mais lisonjeira quando se tenta avaliar o impacto dessa produção — uma avaliação que contém já um elemento qualitativo —, através do número de citações referentes a esses artigos na literatura internacional. De facto, o número médio de citações obtidas por cada artigo português (2,28) é inferior ao de todos os outros países-membros da UE com a excepção da Grécia (1,85). Quando se faz esta avaliação por áreas científicas o resultado é mais claro: os artigos portugueses apresentam, em quase todas as áreas, um número médio de citações por artigo substancialmente inferior à média mundial de citações por artigo para a área considerada. Esta proporção, a que se dá o nome de "impacto relativo", está representada numa das colunas do Quadro 2. Um impacto relativo de 0,50, por exemplo, significa que os artigos portugueses nessa área têm um número médio de citações que é metade do número médio de citações por artigo nessa área a nível mundial.


O grau de desenvolvimento tecnológico nacional pode, por sua vez, ser avaliado de forma comparada graças a uma análise do número de patentes registadas por Portugal junto do Gabinete Europeu de Patentes (EPO). No ano passado, Portugal foi o país que menos patentes registou nesta organização: apenas três, o que representa 0,01 por cento do total de patentes concedidas pelo EPO (ver Quadro 3).


A cooperação internacional


Um dos factores que tem sido mais fortemente defendido como forma de ultrapassar a fragilidade crónica da investigação portuguesa tem sido o estreitamento da cooperação internacional. E este estreitamento, de facto, tem sido uma das principais características da evolução recente do Sistema Científico e Tecnológico Nacional. Enquanto no biénio 1980/81 apenas 28 por cento da produção científica nacional envolvia uma colaboração com o estrangeiro, em 1990/95 essa percentagem era já de 42 por cento, aparecendo como principais parceiros, por ordem decrescente, o Reino Unido, os Estados Unidos, a França, a Alemanha, a Espanha, a Itália, a Holanda e a Bélgica.


O Reino Unido, a França e os Estados Unidos continuam a ser os principais parceiros de Portugal mas, após a adesão à União Europeia, países como a Alemanha, a Espanha e a Itália começaram a representar um papel cada vez mais relevante para a ciência portuguesa. Se tomarmos como base apenas os projectos do Quarto Programa-Quadro de Investigação e Desenvolvimento da União Europeia aprovados em 1995, por exemplo, a Alemanha ocupa já o primeiro lugar como parceiro de Portugal, seguida do Reino Unido, França, Itália, Espanha, Grécia, Bélgica, Holanda, Suécia, Finlândia, Dinamarca, Irlanda, Áustria e Luxemburgo.


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